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 Preservar
é preciso
Helem Olimpia
Ascom-ADUFEPE
Usando um
personagem infantil, a estudante do curso de Ciências Biológicas da UFPE,
Raquel Valença e sua professora Débora Koury, tentam levar às crianças a
conscientização da importância da preservação do meio ambiente.
Sassarico, nome criado para o sagüi, usado no livro
como mensageiro da ecologia, dá o seu recado alertando seus amigos da
floresta para a grande e ameaçadora destruição de seu habitat.
Raquel Valença, convivendo com as áreas dos Brejos de
Altitude, tomou para si a responsabilidade de denunciar o que vem ocorrendo
naquela região, demonstrando que algo precisa ser feito urgentemente para
interromper tal processo de degradação.
Recordando Bertold Brecht, “...nada deve parecer
natural, nada deve ser impossível de mudar”.

....
Vou explicar muito bem,
Se não existe floresta,
Água falta também.
Vão derrubar o Brejo de Altitude
Prá perturbar nossa paz?
Vou tomar uma atitude:
Mostrar do que sou capaz!


Para falar sobre o Sassarico, o Arte Sensu ouviu a professora Débora
Koury (foto), co-autora do livro.
O que levou vocês a escreverem essa
história? O que vocês queriam levar ao público?
Esse trabalho começou com a monografia de
Raquel, aluna de Ciências Biológicas que escolheu trabalhar com uma área
completamente desconhecida, inclusive pelos biólogos, que são os Brejos de
Altitude. Eu mesma não conhecia esse ecossistema em Pernambuco. A gente não
estuda isso, não vê muito, pois não tem divulgação. São áreas verdes dentro
da aridez do agreste e do sertão onde chove muito. Esses remanescentes de
Mata Atlântica estão ali, porque existe um fenômeno da natureza chamado
chuvas horográficas que possibilitam esta situação. São nuvens que encontram
pela frente uma barreira de montanhas, o que causa a precipitação das chuvas
nestas áreas, tornando-as verdes.
A Raquel pesquisou sobre as representações destas áreas em livros didáticos
e, entre os 151 livros pesquisados, só encontrou o tema brejos de altitude
em nove. Sabemos que a maioria dos livros didáticos são feitos em São Paulo
e lá não existe este tipo de vegetação.
Sassarico na Serra é um livro didático?
Não, ele não é um livro didático, é um livro
infantil. É destinado a um público de crianças abaixo dos dez anos.
Quem é o Sassarico? De onde veio esse nome?
O Sassarico é um sagüi. O nome é totalmente
fictício.
O sagüi mora em um Brejo de Altitude e o Sassarico é um personagem que
Raquel criou depois de fazer o seu trabalho.
Quando vimos o trabalho escrito em versos, nos animamos a publicá-lo. A
partir daí, começamos a pensar em mais coisas que o Sassarico pudesse fazer
para produzir um livrinho.
Ela criou este personagem e então começamos a trabalhar juntas, o que
resultou em co-autoria do livro. Ela escreveu os versos, nós vimos como
ficariam os ajustes, e depois contamos com a ilustração de Auxiliadora
Menezes, das Edições Bagaço.
Qual o papel do sagüi neste trabalho?
A Raquel criou esse personagem para tomar
conta da história. O Sassarico se preocupa ao ver o que está acontecendo na
região, que é o desmatamento da área dos Brejos de Altitude para dar lugar a
plantações de chuchu. Ele começa a chamar a atenção dos seus amigos para que
façam alguma coisa para defender aquela floresta, incitando os outros
animais a destruírem a plantação de chuchu até que os plantadores desistam
de continuar plantando o chuchu.
O professor Marcelo Tabarelli, que participou da banca examinadora da Raquel
e é especialista em Brejo de Altitude, só faltou “morrer”. Ele falava assim:
“Minha gente, água é muito mais cara do que chuchu! A gente não pode
desmatar para fazer isso!”.
Existem mais Brejos, além do citado na história? Como é a fauna nesses
lugares?
Existem vários brejos, o Brejo da Madre de
Deus é um exemplo.
E lá existem também muitos animais, como em qualquer floresta mesmo.
Como vocês estão fazendo a divulgação do livro?
O primeiro lançamento do Sassarico foi feito
na Feira do Livro em agosto desse ano. Mas, queremos divulgar esse trabalho
no meio infantil, nas escolas. Sabemos que somente os movimentos sociais
organizados são capazes de reverter esses processos de destruição da
natureza, já que o Governo é totalmente omisso, ou mesmo conivente com essas
ações. O livro pode se tornar um instrumento para a mobilização contra a
plantação do chuchu naquelas regiões dos brejos de altitude, mostrando para
as pessoas a necessidade de trabalharem juntas em prol do meio ambiente. |