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Poesia Real
Marlon Freire de Melo
Professor do Colégio
de Aplicação da UFPE
Então
Riam, amigos
Pois é apenas poesia
Poesia não é realidade
A poesia é sonho e ilusão
A realidade é nua e crua
Nua
Como os braços da musa
Como as paredes do casebre
Crua
Como a carne do peixe
Do sushi da Esquina
Como a violência
Que aflora na esquina
Apenas poesia
Escrita com palavras puras
Apenas realidade
Escrita com palavras duras
Aquela, derramando rios transparentes
De água azul-turquesa
Esta, salpicando o sangue salgado
Do sofrimento
Ali há flores e pássaros, jardins e horizontes
Aqui há crianças com fome nas favelas cinzentas
No lado de lá, há mulheres formosas, musas e ninfas
No lado de cá, há meninas esquálidas, sem infância
Aquelas vendem um sonho de consumo
Estas se vendem como objeto de consumo
A princesa macula a realidade
A plebéia mata a poesia
Não há realidade na poesia
Há poesia na realidade
Então
Não riam, amigos
Pois não é apenas poesia
É também realidade
Realidade sem poesia
Às crianças, vítimas
do Estado terrorista de Israel
Evson Malaquias de M. Santos
Professor do Depto. De Fundamentos e Técnicas de Ensino/UFPE
Não poderás mais chorar um amor perdido;
Não poderás mais chorar por uma separação
Não poderás mais chorar um amor partido,
pois, literalmente, você o está;
Não poderás mais enterrar seus avós,
pois tu é que estás sendo ... o que restou de ti;
Quanta insanidade... corpos dissipados... estilhaçados
Por quê?
Não poderás mais orar pelo teu DEus
Não poderás mais so(rir)... pois os abutres sionistas riem de ti
Não terás mais futuro... apenas terras sobre ti,
terras, que teu povo luta por ela;
mas se derramamos lágrimas pela tua cova
plantaremos a esperança contra esta brutalidade
para que brote flores para adubar a terra
e não humilhá-la com suas vítimas e seus corpos inocentes
Brasília, 07 de setembro de 200
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