
Poemas
Paulo Marcondes
Professor do Departamento de Ciências
Sociais da UFPE
O etéreo
Ali a felicidade se feriu de morte
Um corte de pulsos
Na aorta o corte
Cortejo segue em silêncio o seu mistério
Não fossem ouvidos
De evanescentes memórias
Não haveria o etéreo
De glórias iridescentes
Ali a felicidade era a ilusão de ídolos.
Esconderijo
Que seja a palavra intrépida o que te escuta
E o olho o cego que ilumina a noite
Vou como vou aos tatos e tropeços
Ao fundo
Ao vão do meu mesmo existir
Persigo o cheiro
Percebo a vítima
E ao fim mergulho estilhaçado em quase espelho
A sombra da noite é clara
E sóbria é a escuridão do meu vagar
No
dizer das coisas
Morria um mundo
E o tempo transcorria
Lá (onde o sonho perdeu seu norte)
A Corte perde passagem
O mundo é sem dono
A morte grassa em vadiagem
Pelo dizer que a si realça
Pelo silêncio que conspira
Um mundo gira
As mãos descalças
Por causas cruas de um lugar tão triste
Pelo contraste das promessas falsas
Pelo viver no assim
No vai-da-valsa
Pela falência do que não existe
No agora fim que a si se alça