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Ariano Suassuna 80 anos de competência
e bom humor
Alvo de várias
homenagens na UFPE, Ariano Suassuna
festeja seus 80 anos falando de suas experiências
para a comunidade universitária.
Ariano Suassuna, ao completar 80 anos, recebe justas homenagens por tudo o
que tem proporcionado à cultura brasileira. A UFPE, festejou o aniversário
do autor em meio às comemorações do 60º aniversário da própria universidade.
Poeta, professor, dramaturgo e grande observador da vida nordestina, fez o
país inteiro conhecer a vida sertaneja através de suas obras. Suas criações,
como a peça “O Auto da Compadecida”, despertam curiosidade sobre seus
personagens irreverentes e divertidos . Pelo seu imenso sucesso, atravessou
fronteiras e arrebatou públicos de tantos outros países. Adaptada em três
versões para o cinema, a obra cinqüentenária conquista todos os tipos de
público.
Para homenageá-lo pela passagem do seu 80º aniversário, a UFPE inseriu em
sua programação dos 60 anos, atividades com o mestre Ariano que encantou os
jovens estudantes.
A Pedra do Reino -
Homenagem ao pai Sobre o livro “A
Perda do Reino”, considerada sua obra-prima, Ariano afirma que só uma década
depois de tê-lo escrito, entendeu que o que escreveu tinha sido uma busca de
redenção. O livro é dedicado ao seu pai, asassinado por motivos políticos.
“É a descoberta do rei que nunca morre. O livro é dedicado a meu pai e a
mais doze pessoas. É como se ele representasse para mim aquela figura tão
importante do tempo em que eu assistia às cavalhadas de menino. Então, meu
pai é o imperador a quem o livro é dedicado. E os doze outros são os
cavaleiros, os pares dele. Tanto que entre eles encontram-se Euclides da
Cunha, Antônio Conselheiro, José Lins do Rego e até Leandro Gomes de Barros,
o maior autor de folhetos de cordel do Nordeste. Por esse motivo, concluí
minha dedicatória a João Suassuna, santos, mártires, poetas, profetas e
guerreiros do meu mundo mítico do sertão” (Jornal da Poesia).
OBRAS
Uma Mulher Vestida de Sol (1948); Ode (1955); Fernando e Isaura
(1956); Auto da Compadecida (1957); O Casamento Suspeitoso
(1961); O Santo e a Porca (1964); A Pena e a Lei (1971); Romance
d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971);
Farsa da Boa Preguiça (1974); História d’O Rei Degolado nas
Caatingas do Sertão: ao Sol da Onça Caetana (1977); Sonetos com
Mote Alheio (1980); Sonetos de Albano Cervonegro (1985); A
História de Amor de Romeu e Julieta (1997). |
O lado trágico
Nos versos a seguir,
percebe-se a tragédia que se instalou na via de Ariano a partir da morte
daquele que, para ele, era um rei seu pai João Suassuna.
O Reino A Morte
Aqui morava um Rei quando
eu menino
Vestia ouro e castanho no gibão
Pedra da sorte sobre o meu destino
Pulsava junto ao meu seu coração
Para mim, seu cantar era divino
Quando ao som da viola e do bordão
Cantava com voz rouca o desatino
O sangue o riso e as mortes do sertão
Mas mataram meu pai, desde esse dia
Eu me vi como um cego sem meu guia
Que se foi para o sol, transfigurado
Sua Efígie me queima, eu sou a presa
Ele a brasa que impele ao fogo, acesa,
Espada de ouro em Pasto Ensangüentado
Fora
da Ordem
Elaine Judite de Amorim Carvalho
Professora do Depto. de Clínica e
Odontologia
Preventiva da UFPE
"Alguma
coisa está fora da ordem, fora da grande ordem mundial"...alguma coisa
falha no sistema...ia eu pela Calle Prior em plena manhã de sábado
quando encontro uma conterrânea, madura, maltratada, mas com toda a
pinta de nova européia bem sucedida...com os olhos pintados de sombra
azul brilhosa pela manhã, à moda espanhola charra, olhando as vitrines
de câmaras fotográficas digitais....me "arrinconó" para perguntar-me se
eu tinha trabalho ou se eu não estava interessada num trabalhinho extra,
destes que dá muita grana, com relativo pouco esforço...profissão mais
antiga do mundo...É, meu irmão, a coisa é dura!! Realmente nem precisava
ter o "ginasial"...
O fato é que eu fico com vergonha e constrangida em ter que explicar que
sou uma privilegiada em poder ter tido uma formação passível de garantir
meu próprio sustento de maneira menos traumática, que o Brasil para mim
foi pai e a pátria foi mãe, que pertenci lá, à classe dominadora, dos
brancos, dos bem sucedidos, dos que tiveram um lugar ao sol.
Não, eu nao precisei sair do Brasil para tentar ganhar a vida....saí de
lá com a garantia de sustento aqui, saí com "los papeles", saí para
voltar detendo ainda um maior conhecimento do estado da arte....saí com
o compromisso de voltar e fazer alguma coisa em favor destas "mórbidas"
criaturas que crêem que a prostituição européia é mais limpa...
E aqui, a grande lavanderia do mundo...fecha os olhos e não dá na
vista...afinal, o bordel em questão, funciona num discreto apartamento
de um edifício residencial bem localizado, e ninguém se dá conta, não
fere a estética limpa da cidade, não compromete a sociedade conservadora
local e não atrapalha ninguém. Talvez, o único constrangimento que gere
seja no momento em que as mocinhas latino americanas falam por telefone
com suas famílias e tenham que dizer em que trabalham ou no momento em
que abordam outras moças das bandas de lá, mas de "sorte" como eu e
paire um silêncio constrangedor no pós oferta recusada.
25.11.06 - Salamanca - Espanha
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