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RACISMO?????
Helem Olimpia - Ascom - ADUFEPE
O que está acontecendo com o nosso
país? Onde estão os mais básicos valores morais?
Como se explica que justamente aqui, onde vivemos por tanto tempo sob a
tirania da escravidão ... justamente nós, que sentimos na pele ainda
hoje todo o preconceito dos grandes países... justamente na capital da
República... justamente em uma das maiores universidades federais
brasileiras, possa acontecer um fato tão vergonhoso como o incêndio
criminoso, dia 28/03, nos apartamentos de alunos africanos na Casa do
Estudante Universitário (CEU) da Universidade de Brasília (UnB). As
vítimas, todas estudantes da Guiné Bissau, não ficaram satisfeitas com
as providências. Este é o segundo ataque sofrido e temem mais
represálias.
Como se explica que isso possa acontecer em pleno século XXI?
É doloroso perceber que, apesar do nível social e da educação de parte
dos nossos jovens, não podemos ter garantias de um futuro melhor e mais
justo para o nosso país.
Mais doloroso ainda é ouvir “justificativas” que não justificam atos tão
bárbaros, capazes de aterrorizar qualquer cidadão.
A partir de que marcos é possível avaliar os esforços da sociedade
brasileira para romper com as diferentes formas de privilégio
desenvolvidos pela população branca no país ou dirigidos a ela? Quais os
ganhos? Quais as derrotas? Que caminhos estão postos no cenário? Estes
questionamentos foram feitos por Jurema Werneck, médica e coordenadora
da Organização Não Governamental Criola. Para ela, a denúncia do racismo
e suas conseqüências bem como a oferta de propostas das mais variadas
para seu enfrentamento e a promoção da igualdade racial foram
combustível na mobilização de uma das principais articulações políticas
ao longo do século XX.
"Tenho medo e me sinto
humilhado. Uma vez já discutiram comigo. Falam que viemos para
tirar o lugar deles, e diziam "negro, volte para a África'",
contou um aluno de economia, 24 anos.
(Folha de S. Paulo, 29/03/2007) |
Em fevereiro, os estudantes da UnB se depararam com pichações
xenofóbicas e racistas nas paredes do prédio, como “vamos matar os
playboys estrangeiros” e cruzes pretas pintadas na porta dos
apartamentos. Na ocasião, os estudantes procuraram ajuda no Decanato de
Assuntos Comunitários e na Diretoria de Desenvolvimento Social e nada
foi providenciado.

EU TENHO UM SONHO
de Martin Luther King
... Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as
dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho
profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o
verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e
elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos
dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de
escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um
estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor
de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver
em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo
conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos,
com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e
negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras
poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e
irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
Trechos do Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)

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