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Frágil?
Elizângela Araujo
Jornalista - ANDES-SN
Ergo-me
na marcha atroz do cotidiano
por entre as vozes dos insatisfeitos
Caminho por uma existência descolada,
deslocada,
por vezes estranha a tudo que me rodeia
Executo tarefas que me compram
e vou vendendo horas que não recuperarei
tempo de uma vida que talvez não esteja no rumo certo
Trabalho idéias que não me pertencem
ideologias simpáticas, mas insuficientes
Certezas perigosas
Caminho entre os invisíveis
sendo invisível
Às vezes, sensível à dor alheia
Outras, tantas, apenas à minha
Sou borboleta sem asas
cavalo cativo
palhaço triste
bailarina sem música
Fantasia impossível
Ergo-me acima de minha própria miséria
Rogo-me razão e forço-me a não sonhar
Ponho o coração remendado num canto
Esqueço o órgão sensível
Caminho entre as putas
As mães-trabalhadoras
As mulheres do meu tempo
As de ontem e de amanhã
Carregando na bolsa anotações e na cabeça muitas questões
Vou sempre em frente
Ás vezes olhando para trás
Ignorando a busca pelo êxtase
Os amores de nossa civilização não são para mim
Caminho meu caminho reto
Sem acidentes, desvios, aclives ou declives
E se me perguntam, respondo:
Não, não é esta a vida que me serve
A outra, no entanto, a que pus dentro do órgão sensível esquecido num
canto, fica sendo uma promessa
Sou câmera sem foco
Violino desafinado
piano sem grave
metal sem brilho
Mas prossigo
Entre flores e leões
Caminho sozinha
Sem olhar para trás
Sem pedir
Esperando, no entanto, um porvir
Sem acreditar que virá
Suspensa, prossigo
A alguns centímetros do chão
Não caminho
Flutuo
Isso de viver ilusões já não me afeta como antes
Ergo-me no dia-a-dia cansativo
Cultivo sonhos
Mas não planto fantasias
Não me fazes, pois, promessas vãs
Que a mim só o essencial da vida interessa:
Concretizar desejos
Sou linha solta ao vento
Vago entre lugares e perfumes desconhecidos
Mas sempre volto à razão do concreto
E me refugio nos limites que me impus
Isso de viver as ilusões que me ofereces é nada
Somente uma persversão particular
Liberto-me até onde a vista alcança
Ergo-me
Sou dura
Não te enganes
Que a fragilidade é aparente
O PAN é alegria, O PAC é alegoria
Jose Luiz Simões
Coordenação das Licenciaturas Diversas - UFPE
O Panamericano no Brasil em 2007
será uma oportunidade ímpar para pensarmos o desenvolvimento do esporte
no Brasil.
O esporte qualifica os jovens de nossa sociedade. O esporte é uma
importante porta de acesso ä cidadania e oportunidade aos jovens de
origem mais humilde. O esporte é alegria, é sinônimo de integração entre
grupos e nações.
O PAN é o congraçamento da vida na América Latina.
Mas o que falar do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) anunciado
pelo governo federal nesta semana?
O PAC é uma alegoria de carnaval, uma máscara para disfarçar o medo do
governo em promover mudanças de fundo e de fato. Será apenas
coincidência o fato do PAC ser anunciado perto da festa do Rei Momo?
O PAC é alegoria, e na verborréia do Palácio do Planalto somos meros
palhaços pagadores de impostos.
O que o PAC fará pela Educação? O que o PAC fará pela saúde e pela
criança carente? O que o PAC fará pelo esporte? Não sou tucano não, mas
também não sou burro!
O PAC é uma pancada em nossas mentes, é um pague muito e leve pouco. Só
as grandes empreiteiras e os banqueiros estão sorrindo com o PAC.
O PAN é do povo, o PAC é dos burocratas.
O PAN é POP, o PAC é da burguesia, que continua fedendo no Brasil.
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