Arte sensu nº 6

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Recife e suas festas (de final de ano)

Evson Malaquias de M. Santos
Professor do DAEPE - Centro de Educação/UFPE

Canto a tua beleza e fico mudo diante de sua maldade social
“Des(em)canto” para poder falar sobre ti
Sobre o teu silêncio sobre o outro que fala pela dor
E que com isso perdeu a sua voz.

Canto a ti porque te amo
E tu me encantas com teu som que pertence somente a ti
Num movimento de ondas sonoras gritantes que diz:
Porra eu tou aqui! Me vejas, não fujas de mim!

Como podes querer teus filhos se tu os abandonastes e os largastes?
Largastes na cola que o descola da família e de seus amigos.
Recife, tu queres amor quando não sabes amar.
Bêbados, crianças, jovens largados e garotas lascadas,
corpos lascados pelo desejo fálico de prazer
que prostituem e violentam e humilham nossas crianças.

Ah! Recife, tu falas nas tuas festas que esconde a tristeza e a sombra do outro
Nos vestidos de preto, de roupa rasgada, de tecido rude que maltrata o corpo.
Tu cantas na noite dos risos e gritos embriagados
Que discordam um do outro sem saber o porque
E que por isso mesmo se devora
Nas ruas pétridas e de mal cheiro que só tu tens

Cheiro de mijo, de escarro, de vômito
Baratas que perpassam nossos pés, lambuzando-se
do chulé e do suor que se mistura com poeiras
ao vento
Tu, me lembras Augusto do Anjos
Com imagens nebulosas, mas que cria o ardor de quem vive
e está por criar e fazer algo de prazer.

Recife, tu cantas no Recife Antigo, onde tribos se cruzam, mas não se ligam
como se cada um fosse outra dimensão, contudo um não existe sem o outro.
Recife, Recife Antigo, rua da Moeda e burburinho,
que com tua beleza feminina, na calada da noite,
desfilam harmonia e energia cativante que faz a flor reabrir permanentemente

Burburinho, com teu som elétrico, globalizado, democratiza a harmonia com aqueles
que não querem e/ou nem podem pagar para entrar e apreciar o belo blues, rock e jazz
já alcoolizados e se deixando levar por aqueles sons.

Burburinho e rua da Moeda que com teu encanto e tua beleza visual
permite as paqueras e a vida do anoitecer que somente ela possui
e cria uma magia fantasmática de que o tempo não poderá partir.

Tu que me possibilitasses namorar imaginariamente a tua beleza com teu cheiro,
teu aroma, tua cor (múltiplas) me levando ao gozo por estar vivo e amando
a vida e as curvas dos corpos esculturais que transitam freneticamente entre si.

Recife, 26 de dezembro de 2006. 17 horas.

 
 

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