Arte sensu nº 7

Página 13
HOME | ARTESENSU 7
 

Transposição do Rio
São Francisco

MOÇÃO

Paz e bem,

Os participantes do I Seminário Nacional de Política Agrária e Meio Ambiente do ANDES-SN, realizado de 30 de novembro a 2 de dezembro de 2007 na cidade de Brasília DF, manifestam apoio e solidariedade à greve de fome retomada por Dom Luiz Cappio contra a transposição das águas do Velho Chico. A ação de Dom Luiz é um ato heróico de benevolência e amor ao Rio São Francisco e aos povos da sua bacia hidrográfica e representa a defesa dos princípios éticos de direito à vida. Sua luta e compromisso pelos mais necessitados representa a esperança de que é possível construir uma sociedade justa e fraterna. Estudos têm demonstrado que existem alternativas capazes de atender à demanda de água dos 43 milhões de sertanejos da região, por um custo muito inferior ao do projeto de transposição, e que é possível viver com qualidade no semi-árido.
Por isso, os participantes do seminário entendem que a revitalização do rio São Francisco - com o controle social - é fundamental para a manutenção e a emancipação das comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e camponesas. A efetivação da Reforma Agrária e a moratória da ocupação dos biomas do cerrado e da caatinga são ações imprescindíveis para impedir a degradação ambiental e uma maior concentração das terras em todo o País.
A transposição do rio São Francisco não acabará com a sede do povo do semi-árido brasileiro, pelo contrário, tem como objetivo principal atender aos interesses do modelo capitalista neoliberal, por meio de empreendimentos que favoreçam o agronegócio e o hidronegócio e que perpetuam a indústria da seca e o poder das velhas e novas oligarquias. Assim, é imperiosa a suspensão imediata das obras já iniciadas.
Os participantes do I Seminário de Política Agrária e Meio Ambiente do ANDES-SN conclamam a população a se unir aos ideais defendidos por Dom Luiz Cappio, se engajando na luta pelo:

SÃO FRANCISCO VIVO,
TERRA,
ÁGUA,
RIO E POVO.


Trecho do cordel “O Poder da Farsa” escrito por Araci Cachoeira,
em 09/10/2006, em Belo Horizonte.
(poetisa da Via Campesina e do CIMI de Minas Gerais)

Peço licença ao leitor
Para de algo chato eu falar,
Mais do que chato é cruel
O que eu tenho para tratar,
Sobre o atrevimento do homem
Querendo um rio transportar.

Do custo da grande obra
Não precisa nem a metade,
Para aplicar em projetos
Que resolve de verdade,
O problema da falta d'água
Mudando a realidade.

Gritam os povos indígenas
Lamentam os agricultores,
Ribeirinhos, quilombolas,
Estudantes, professores,
Abominam a idéia
Dos insensatos senhores.

Não pensam que vai ser fácil
Com esta farsa do poder,
Do lado de lá tem a grana
Mas do lado de cá tem o querer,
De um povo que está disposto
O Velho Chico defender.

Pelo Rio São Francisco
Contra a transposição,
Uma corrente de forças
Um esforço, um mutirão,
O povo já se levanta
“Dizendo o rio não vai não”.

 

HOME | ARTESENSU 7