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Transposição do Rio
São Francisco

MOÇÃO
Paz e bem,
Os participantes do I Seminário Nacional de Política Agrária e Meio Ambiente
do ANDES-SN, realizado de 30 de novembro a 2 de dezembro de 2007 na cidade
de Brasília DF, manifestam apoio e solidariedade à greve de fome retomada
por Dom Luiz Cappio contra a transposição das águas do Velho Chico. A ação
de Dom Luiz é um ato heróico de benevolência e amor ao Rio São Francisco e
aos povos da sua bacia hidrográfica e representa a defesa dos princípios
éticos de direito à vida. Sua luta e compromisso pelos mais necessitados
representa a esperança de que é possível construir uma sociedade justa e
fraterna. Estudos têm demonstrado que existem alternativas capazes de
atender à demanda de água dos 43 milhões de sertanejos da região, por um
custo muito inferior ao do projeto de transposição, e que é possível viver
com qualidade no semi-árido.
Por isso, os participantes do seminário entendem que a revitalização do rio
São Francisco - com o controle social - é fundamental para a manutenção e a
emancipação das comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e
camponesas. A efetivação da Reforma Agrária e a moratória da ocupação dos
biomas do cerrado e da caatinga são ações imprescindíveis para impedir a
degradação ambiental e uma maior concentração das terras em todo o País.
A transposição do rio São Francisco não acabará com a sede do povo do
semi-árido brasileiro, pelo contrário, tem como objetivo principal atender
aos interesses do modelo capitalista neoliberal, por meio de empreendimentos
que favoreçam o agronegócio e o hidronegócio e que perpetuam a indústria da
seca e o poder das velhas e novas oligarquias. Assim, é imperiosa a
suspensão imediata das obras já iniciadas.
Os participantes do I Seminário de Política Agrária e Meio Ambiente do
ANDES-SN conclamam a população a se unir aos ideais defendidos por Dom Luiz
Cappio, se engajando na luta pelo:
SÃO FRANCISCO VIVO,
TERRA,
ÁGUA,
RIO E POVO.
Trecho do cordel “O Poder da
Farsa” escrito por Araci Cachoeira,
em 09/10/2006, em Belo Horizonte.
(poetisa da Via Campesina e do CIMI de Minas Gerais)
Peço licença ao leitor
Para de algo chato eu falar,
Mais do que chato é cruel
O que eu tenho para tratar,
Sobre o atrevimento do homem
Querendo um rio transportar.
Do custo da grande obra
Não precisa nem a metade,
Para aplicar em projetos
Que resolve de verdade,
O problema da falta d'água
Mudando a realidade.
Gritam os povos indígenas
Lamentam os agricultores,
Ribeirinhos, quilombolas,
Estudantes, professores,
Abominam a idéia
Dos insensatos senhores.
Não pensam que vai ser fácil
Com esta farsa do poder,
Do lado de lá tem a grana
Mas do lado de cá tem o querer,
De um povo que está disposto
O Velho Chico defender.
Pelo Rio São Francisco
Contra a transposição,
Uma corrente de forças
Um esforço, um mutirão,
O povo já se levanta
“Dizendo o rio não vai não”.
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