Arte sensu nº 8

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A VACA QUE BOTOU EM MESTRE BELTRÃO

Mufula (Paulo de Barros Corrêia)
Professor do Departamento de Geologia

 

O professor João Manoel Filho, formou-se em 1962 e trabalhou por muito tempo na antiga Sudene, órgão que fomentou o desenvolvimento da geologia no Nordeste. Evidentemente, trabalhava com hidrogeologia.

Antonio Beltrão, formado em 1964, nos tempos da Sudene, era o companheiro de campo de João Manoel. Beltrão, a exemplo de muitos geólogos, tinha problemas com animais que encontrava pelo campo, notadamente bois e vacas.

Em certa ocasião estavam fazendo um levantamento hidrogeológico e topográfico de poços, no Reio Grande do Norte e chegaram a uma propriedade onde havia uma vaca que tinha dado cria há pouco tempo. Geralmente a vaca de bezerro novo fica mais brava do que o normal, devido aos cuidados em defender sua cria. Para se ter acesso ao poço daquela propriedade, tinha-se que atravessar o curral. O dono da propriedade, disse que não haveria problema se ele estivesse presente na hora em que fossem passar pela vaca. Beltrão, já com ares de apavorado disse que iria, porque tinha que fazer o trabalho, mas que estava com medo, isso ele estava! Sem mais delongas, entraram no curral: o dono da propriedade na frente, Beltrão atrás dele e João Manoel atrás de todos. Dizem que quando estamos com medo, exalamos um odor que os animais percebem de longe e ficam alertas, principalmente quando estão protegendo sua cria. Foi o que deve ter acontecido com Beltrão. Assim que entrou no curral, Beltrão encarou a vaca. A vaca também encarou Beltrão, dando aquela abanada característica nas orelhas. João Manoel notando, falou:

-Beltrão, não olha pra essa vaca! Deixa essa vaca pra lá! Fica atrás do homem!
-Então deixa eu passar pra trás! Implorou Beltrão.
-Tudo bem.

João Manoel seguiu sem olhar para a vaca, olhando para as costas do homem e Beltrão atrás, encarando a vaca. Quando chegou perto, a vaca abanou as orelhas e balançou a cabeça. Aí Beltrão parou, apavorou-se e correu. A vaca partiu de lá, correu atrás de Beltrão, deu-lhe uma chifrada na bunda, que ele subiu uns três metros e caiu como uma jaca na areia. Ainda bem que era areia.

-Puta que pariu, o senhor não disse que a vaca era mansa? Reclamou, todo ralado, Beltrão.

No outro dia, todo arranhado e remendado com esparadrapos, Beltrão estava com João Manoel em um poço “amazonas” numa comunidade em outro local. Ao redor do poço tinha muita gente. Uns pegando potes ou latas d'agua e outros dando de beber aos animais. João Manoel coletava amostras e fazia a medida do nível da água, enquanto Beltrão anotava. De repente aparece um menino puxando um touro “nelore” enorme, por uma cordinha que mal dava para segurar um vira latas. O touro era de uma docilidade inacreditável. O menino pegou uma bacia, encheu d'agua e deu para o touro beber. Beltrão anotando os dados, não percebia nada. O touro enorme estava bebendo água a menos de 50 centímetros atrás de Beltrão. João Manoel com medo da reação de Beltrão falou:

-Beltrão, olha pra trás!

Beltrão olhou, deu um pulo e já caiu em pé com o revolver na mão, gritando:

-Eu mato, eu mato ele. Tire esse boi daí, senão eu atiro nele!


NAHINÂ (Chuva da Tarde)

Nahinã, Nahinã
Alvorecer da manhã
A esperança não é vã
Forças do bem que te guarde
Dê muita felicidade
Chuva depois da manhã

Forças do bem que te guarde
Dê muita felicidade
Chuva depois da manhã

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