Arte sensu nº 8

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A PRAGA DO BOI DA CARA BRANCA(*)

Epitácio Fragoso Vieira
Prof. do Departamento de Fundamentos Sócio-Filosóficos da Educação-CE / UFPE

Boi, boi, boi, boi da cara preta,
pega esse menino que tem medo de careta.
Boi, boi, boi, boi do Maranhão,
pega esse menino que não quer o seu pirão
Boi, boi, boi, boi do Piauí,
pega esse menino que não sabe mais sorrir.
Boi, boi, boi, boi do Ceará,
pega esse menino que não pára de chorar.
Boi, boi, boi, boi de Pernambuco,
pega esse menino que me deixa já maluco
.

Pior é agora a praga do boi da cara branca.
Da cara branca, do dorso branco, do ventre branco,
de tudo branco, branco, branco, branco, como leite,
e tantos, tantos, mas tantos,
que cobrem os campos a perder de vista.
Latifúndios quase do tamanho de Sergipe
estão cobertos por manadas brancas,
monotonamente brancas, iguais, uniformes,
como uma praga de neve que cobre o meu Brasil,
o meu Brasil rural,
grande e solene em seu passado histórico,
com sua cultura popular riquíssima,
sem riqueza econômica, mas com muita riqueza ontológica,
o Brasil de uma gente simples, e pura, e feliz.
Outrora, sim.
Agora, não mais.
Hoje, toda essa gente foi expulsa do campo.
Os bois expulsaram essas criaturas humanas
e empurraram esses humanos para as grandes cidades,
onde eles foram encontrar o desencanto, o desemprego,
a desarticulação dos laços familiares,
o rompimento brusco dos costumes e das tradições,
a desilusão, a dor, o desespero de ver
as filhas se prostituírem,
os filhos caírem no crime
ou se tornarem farrapos nas ruas ...
Mas, a culpa não é dos bois.
Esses, coitados, nem têm tempo de viver.
Nem vivem naturalmente como bois.
Não existe mas aquele boi do verso de Drummond:
“Ó solidão do boi no campo".
O zebu parado, sozinho, enorme, altivo,
olhando-a natureza em torno.
O poeta urbano é que projetou a sua solidão
na percepção do boi em sua ¾+À+a ÿÿp $1&1ÿÿ,d $1&1”Ð$1'1ÿÿ,¤$1'1€§€§€§€§€§€§€§ €§ €§ €§ €§€§€§€§€§€§€§€§€§€§€§€§€§€§€§€§€§€§€§€§ €§!€§"€§#€§$€§%€§&€§'€§(€§)€§*€§+€§,€§-€§.€§/€§0€§1€§2€§3€§4€§5€§6€§7€§8€§9€§:€§;€§<€§=€§>€§?€§@€§A€§B€§C€§D€§E€§F€§ö5#õ÷rÞG™nÞGýqÞGˆÝ£§Þ£§ß£§à£§á£§â£§ã£§ä£§å£§æ£§ç£§è£§é£§ê£§ë£§ì£§í£§î£§ï£§ð£§ñ£§ò£§ó£§ô£§õ£§ö£§÷£§ø£§ù£§ú£§û£§ü£§ý£§þ£§ÿ£§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§ ¤§ ¤§ ¤§ ¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§¤§ ¤§!¤§"¤§#¤§$¤§%¤§&¤§'¤§(¤§)¤§*¤§+¤§,¤§-¤§.¤§/¤§0¤§1¤§2¤§3¤§4¤§5¤§6¤§7¤§8¤§9¤§:¤§;¤§<¤§=¤§>¤§?¤§@¤§A¤§B¤§C¤§D¤§E¤§F¤§G¤§H¤§I¤§J¤§K¤§L¤§M¤§N¤§O¤§P¤§Q¤§R¤§S¤§T¤§U¤§V¤§W¤§X¤§Y¤§Z¤§[¤§\¤§]¤§^¤§_¤§`¤§a¤§b¤§c¤§d¤§e¤§f¤§g¤§h¤§i¤§j¤§k¤§l¤§m¤§n¤§o¤§p¤§q¤§r¤§s¤§t¤§u¤§v¤§w¤§x¤§y¤§z¤§{¤§|¤§}¤§~¤§¤§€¤§¤§‚¤§ƒ¤§„¤§…¤§†¤§‡¤§ˆ¤§‰¤§Š¤§‹¤§Œ¤§¤§Ž¤§¤§¤§‘¤§’¤§“¤§”¤§•¤§–¤§—¤§˜¤§™¤§š¤§›¤§œ¤§¤§ž¤§Ÿ¤§ ¤§¡¤§¢¤§£¤§¤¤§¥¤§¦¤§§¤§¨¤§©¤§ª¤§«¤§¬¤§­¤§®¤§¯¤§°¤§±¤§²¤§³¤§´¤§µ¤§¶¤§·¤§¸¤§¹¤§º¤§»¤§¼¤§½¤§¾¤§¿¤§À¤§Á¤§Â¤§Ã¤§Ä¤§Å¤§Æ¤§Ç¤§È¤§É¤§Ê¤§Ë¤§Ì¤§Í¤§Î¤§Ï¤§Ð¤§Ñ¤§Ò¤§Ó¤§Ô¤§Õ¤§Ö¤§×¤§Ø¤§Ù¤§Ú¤§Û¤§Ü¤§Ý¤§Þ¤§ß¤§à¤§á¤§â¤§ã¤§ä¤§å¤§æ¤§