Especialistas criticam Enade deste ano por ter questões elogiando o governo 
Prova avalia cursos de faculdade e ocorreu no fim de semana passado. MEC diz que não teve acesso às questões antes da avaliação ser aplicada 

Estudantes de todo o país fizeram as provas do Enade no fim de semana passado. No exame, responderam a questões que elogiam ações do governo federal, como mostrou a reportagem do jornal "O Globo". Uma das questões fala de uma campanha do Ministério do Meio Ambiente para o consumo consciente de sacolas plásticas. Outra diz que, segundo o Ministério da Cultura, o Brasil produz mais da metade dos livros do continente americano. E a resposta correta apóia a distribuição de livros didáticos feita pelo Ministério da Educação. Há ainda uma questão que afirma que a imprensa internacional confirmou a declaração do presidente Lula de que a crise financeira mundial era apenas uma marolinha aqui no Brasil. O Enade mede o conhecimento de alunos que estão entrando e saindo da faculdade. E assim avalia os cursos. Professores universitários criticam as questões da prova deste ano. Para eles, são perguntas que não servem para analisar a qualidade do ensino superior no país. 

O especialista em educação Gilberto Lacerda, professor da UnB, diz que isso pode comprometer o objetivo do exame. "No caso específico dessas questões, é claro que há uma propaganda subliminar inserida nelas, o que é inoportuno. Não é o local para que isso aconteça," disse. O Ministério da Educação informou que nenhum funcionário do MEC teve acesso às provas antes do exame. E que o conteúdo é de responsabilidade da consulplan, contratada para realizar o Enade. Já a empresa declarou que as questões foram elaboradas por profissionais considerados referência em suas áreas, de forma sigilosa e independente. O professor Ricardo Caldas, de Políticas Públicas da Universidade de Brasília, critica a falta de acompanhamento do MEC. "O governo não pode simplesmente dizer que contratou uma empresa, terceirizou o serviço e que não há supervisão. Essa observação é descabida."

 

Fonte G1