Pobreza ainda é obstáculo para melhoria da educação
No mundo todo há cerca de 100 milhões de crianças e quase 800 milhões de jovens
e adultos fora do sistema educacional. A informação é do relator especial da
Organização das Nações Unidas (ONU) pelo direito à educação, o costa-riquenho
Vernor Muñoz Villalobos. Para ele, a adoção de medidas contra essa exclusão é o
maior desafio a ser enfrentado pelas mais diversas sociedades. “[O combate à]
discriminação de grupos que têm sido, historicamente, excluídos da educação,
continua sendo um desafio importante”, declarou ele em entrevista na última
quarta-feira (05) à TV Brasil. Villalobos veio a São Paulo para participar do
seminário Pela Não Discriminação na Educação, da Campanha Latino-Americana pelo
Direito à Educação (Clade), realizado na sede da organização Ação Educativa. Ele
avalia que a situação de desigualdade econômica é mais crítica na
América Latina, o que provoca carências nas
oportunidades de ensino. No caso do Brasil, ele considera que o maior entrave a
ser vencido é o de traçar metas de educação de forma dirigida às populações
negra e indígena, reconhecendo que a questão é complexa por causa da diversidade
cultural desses povos.
Na análise do relator da ONU, a adoção de cotas
que permitem a reserva de vagas nas universidades brasileiras para
afrodescendentes “é uma excelente medida”. “É uma ação afirmativa no sentido de
combater a exclusão e a discriminação histórica que os afrodescendentes sofrem.”
Ele observa, no entanto, que as discriminações estão presentes no mundo todo e
não se restringem a essas populações. "É um problema sentido pelas minorias
étnicas, pelas mulheres, pelos menos capacitados, entre outros”, aponta.Villalobos
afirma também que é fundamental o combate à pobreza para permitir o ingresso de
um maior número de pessoas no sistema de ensino, que deve ser gratuito e
oferecido para todos os níveis de ensino, inclusive o universitário. “Se as
famílias têm de escolher entre enviar os seus filhos para a escola ou comer,
certamente, a opção é comer”, pondera ele, complementando que esse é um desafio
a ser enfrentado não apenas pelo Brasil, mas em todo o continente. Dados do
Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que embora o Brasil
tenha avançado nessa área nos últimos 15 anos, o País ainda registra 2,4% do
universo de crianças em idade escolar – de 7 a 14 anos – fora da escola. Isso
significa uma exclusão de 680 mil brasileiros.
Fonte Agência Brasil