Reitores das federais querem ampliar em 80% os alunos de pós-graduação
Proposta foi apresentada ao governo nesta semana. Estudantes passariam dos
atuais 64.626 para 116.618
Reitores das universidades federais brasileiras querem alavancar a pós-graduação
no país e elevar em 80% o número de estudantes neste nível de ensino até 2012. A
Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior
(Andifes) apresentou nesta semana um plano de apoio à ampliação dos cursos de
mestrado e doutorado – o PAPG/IFES. O projeto foi levado ao ministro da Ciência
e Tecnologia, Sérgio Rezende. As informações são da Agência UnB. A proposta da
Andifes se baseia em levantamento realizado nas pró-reitorias de pós-graduação
das universidades federais. Segundo o estudo, o Brasil tem hoje 1.117 cursos de
mestrado e 638 de doutorado. Ao final de quatro anos, os reitores querem
aumentar esse número para 1.761 cursos de mestrado e 1.161 de doutorado. A
quantidade total de estudantes passaria dos atuais 64.626 para 116.618.
“Recebemos muito bem a proposta. É provável que o plano nacional da pós seja
lançado em novembro, em parceria com o Ministério da Educação”, disse Antônio
Ibañez Ruiz, secretário adjunto do Ministério de Ciência e Tecnologia.
Para atingir a ambiciosa meta, o governo teria de
investir cerca de R$ 1 bilhão por ano – R$ 4 bilhões até 2012. O presidente da
Andifes, Alan Barbiero, explica que parte dessa verba já existe, mas está
pulverizada em programas governamentais sem o foco do PAPG/IFES. “Queremos
qualificação, investimento e crescimento da pós-graduação brasileira.
Qualificação e investimento já existem em ações governamentais. Para a expansão,
será preciso acréscimo financeiro. O CNPq e a Capes farão o levantamento dos
recursos necessários”, disse Barbiero. A proposta da Andifes também fortaleceria
o Reuni, o plano de re-estruturação e expansão das universidades federais. "Essa
nova política representa uma maneira de aprimorar ainda mais o Reuni, com a
inserção de mais pesquisadores nas universidades", comentou o reitor da UnB,
José Geraldo de Sousa Junior. Ele reforçou que institucionalização de um
programa para a pós também evitaria desvio de foco durante o ano eleitoral.
Falhas - Entre os principais
problemas da pós-graduação brasileira apontados pela Andifes, está a formação de
mão-de-obra qualificada em todas as regiões brasileiras. Só na Universidade
Federal de Minas Gerais há mais cursos de doutorado do que em toda a região
Norte. O presidente da Andifes esclarece que o PAPG/IFES vai atuar na redução
das desigualdades regionais e entre as áreas do conhecimento. No entanto, a
proposta será trabalhada de forma compatível com a política nacional industrial.
“Como houve a abertura de novos campi no interior do Brasil, precisamos agora
fixar os doutores nessas cidades”, ressaltou Alan Barbiero.
Decreto da Autonomia - Outro tema
discutido nesta terça-feira com representantes do Ministério da Educação foi a
publicação do Decreto da Autonomia Universitária. O conselho pleno da Andifes
vai se reunir entre os dias 18 e 19 de agosto para consolidar as propostas sobre
o tema. O resultado da discussão deve ser levado ao presidente Luiz Inácio Lula
da Silva em setembro. Lula já sinalizou no primeiro semestre interesse em
resolver a situação da autonomia e dos hospitais universitários.
Fonte Portal G1