Idosos a partir de 60 anos que recebem rendimentos da previdência social
poderão ficar isentos do Imposto de Renda (IR). Atualmente, a idade para
usufruir deste benefício é 65 anos. A alteração, aprovada nesta terça-feira
(2) em caráter terminativo pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), está
contida em projeto do senador César Borges (PR-BA).A isenção estará limitada
até o valor de R$ 1.434,59 e, de acordo com o projeto (PLS 187/04), abrange
rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a
reserva remunerada ou reforma, pagos pela previdência social.
O objetivo da proposição é ajustar a legislação fiscal ao Estatuto do Idoso
(Lei 10.471 de 2003). César Borges lembra que o estatuto elegeu como
parâmetro a idade de 60 anos, mas não tratou da isenção fiscal devido ao
fato de o tema exigir lei específica e exclusiva, segundo determina a
Constituição. O senador, no entanto, diz não fazer sentido a existência de
um parâmetro de idade para fins fiscais e outro para os demais finalidades.
Para justificar sua iniciativa, César Borges argumenta que a isenção parcial
hoje prevista na legislação do imposto de renda tem por objetivo auxiliar o
idoso nas necessidades da terceira idade. O relator, senador Eduardo Azeredo
(PSDB-MG), afirma que o projeto é meritório por eliminar dualidade
injustificada nos parâmetros usados na definição de idoso.
- Após sua conversão em lei, também para fins fiscais, idosa será a pessoa
com idade igual ou superior a 60 anos - frisou Azeredo, ao apresentar seu
relatório.
A proposta foi aprovada com duas emendas do relator - uma de redação
alterando a ementa da matéria e outra atualizando o limite de isenção de R$
1.058, previsto no projeto original, para R$ 1.434,59, em conformidade com
modificação recente na legislação.
Por telefone, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR),
solicitouque a matéria fosse enviada, antes da votação na CAE, para exame da
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Mas o requerimento com
esse objetivo foi rejeitado pelos integrantes do colegiado, com apoio
inclusive do líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL).O senador Antonio
Carlos Valadares (PSB-SE) chegou a anunciar pedido de vista em nome do
governo, mas desistiu do pleito após ouvir argumentos do autor do projeto
para que matéria dessa natureza, que irá beneficiar muitas pessoas
necessitadas, não tivesse sua aprovação adiada. Valadares cedeu, ressaltando
que o próprio PMDB, maior partido da base do governo no Senado, estava a
favor da proposição.
Fonte Agência Senado