O Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Associação Nacional dos
Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) promoveu o
8º Seminário Nacional do Reuni, que teve como tema “Universidades Federais:
Consolidação e Expansão 2011-2020”. Realizado em Brasília entre os dias 27 e
29 de janeiro, o evento reuniu cerca de 250 reitores, vice-reitores e
pró-reitores de Universidades Federais, além de representantes do Conselho
Nacional de Educação (CNE) e da Câmara dos Deputados.
A programação contou com mesas-redondas que discutiram o futuro das Ifes em
diversos aspectos, como financiamento, modelos acadêmicos e indicadores de
graduação, pós-graduação e extensão. O evento teve como objetivos subsidiar
as discussões sobre o Plano Nacional da Educação (PNE) para o período de
2010 a 2020 e discutir como transformar a política de expansão da Educação
Superior em um projeto de Estado e não apenas de um governo.
Sobre a expansão da Educação Superior, estudo encomendado pela Andifes e
apresentado no Seminário mostrou que atualmente um percentual de 13,9% de
brasileiros entre 18 e 24 anos estão matriculados no Ensino Superior, 26,7%
deles em instituições públicas. Para a educação superior atender a 30% dos
jovens com idade entre 18 e 24 anos, 40% deles matriculados em instituições
públicas, os investimentos na área devem representar 10% do PIB brasileiro,
dos quais 1,2% seriam destinados às Ifes.
A gestão universitária também foi alvo de discussões. Capacitação de
servidores, profissionalização da gestão e maior inserção das TICs nos
processos acadêmicos e de gestão universitária são alguns dos pontos
levantados por estudo e abordados no Seminário.
Outra mesa-redonda discutiu o Programa de Apoio à Pós-Graduação das Ifes, o
PAPG-Ifes, proposto pela Andifes ao Governo Federal. Na pós, as principais
preocupações são a superação das assimetrias entre regiões do país e entre
áreas do conhecimento e o desenvolvimento de cursos e iniciativas em áreas
estratégicas para o país. A formação continuada de docentes e o incentivo
aos cursos de licenciaturas também devem ser contemplados.
Estes e outros temas do Seminário serão discutidos na reunião do Conselho
Pleno da Andifes a ser realizada no mês de fevereiro, quando a Associação
deve aprovar as pautas a serem defendidas na Conferência Nacional de
Educação (Conae), que ocorrerá em março, para subsidiar a elaboração do PNE.
Entrevista > Presidente da Andifes,
reitor Alan Barbiero
Qual é a sua avaliação do 8º Seminário Nacional do Reuni?
O Seminário alcançou os objetivos definidos: aprofundar as discussões sobre
como tornar a expansão das universidades federais uma política de Estado e
promover a articulação da Andifes com o MEC para a elaboração do Plano
Nacional de Educação. O evento foi muito positivo, mais de 250 pessoas
participaram ativamente das discussões, tivemos textos previamente
elaborados e tudo registrado para fazermos proposições ao PNE.
Quais são as expectativas da Andifes quanto às questões discutidas?
Essas questões serão pauta do Conselho Pleno a ser realizado no final de
fevereiro. Vamos submetê-las à apreciação do Pleno, para definirmos as metas
e conteúdos que vamos defender na construção do PNE. Muitas das questões nós
já vínhamos trabalhando há vários anos, como o Programa de Apoio à
Pós-Graduação das Ifes (PAPG-Ifes) que, segundo anunciou a secretária Maria
Paula Dallari será lançado nos próximos dias. Agora vamos entrar na reta
final destas discussões, para levá-las à Conferência Nacional de Educação (Conae),
que deve nortear o PNE. O Seminário foi um passo muito importante para
organizarmos estes debates.
Entre as principais pautas da Andifes em 2010, estavam a reestruturação dos
Hospitais Universitários, o PAPG-Ifes e a autonomia universitária. HUs e
PAPG avançaram recentemente, o foco agora é concluir as discussões sobre
autonomia?
Enfim saiu o decreto que orienta a reestruturação dos HUs, com o compromisso
do Ministério da Saúde no financiamento das unidades e um maior aporte de
recursos. Segundo o MEC, o PAPG será lançado nos próximos dias. Quanto à
autonomia, falta avançar em alguns pontos, como a criação do banco de
técnicos-administrativos equivalentes, a gestão financeira das
universidades, a regulamentação do relacionamento com as Fundações de Apoio
e as gratificações para cargos de direção.
Em relação à expansão propiciada pelo Reuni, qual é a sua avaliação?
As universidades estão superando as metas estabelecidas no programa,
causando grande impacto no Ensino Superior. A Andifes vai lançar um
relatório que demonstra o crescimento das universidades federais, o aumento
do número de vagas e cursos e os reflexos desta expansão no conjunto das
Ifes. Nós tínhamos cerca de 600 mil alunos, com o Reuni, chegamos a
aproximadamente 1 milhão. Se considerarmos as metas do atual PNE, de atingir
2 milhões de alunos nas instituições públicas de Ensino Superior até 2020,
precisaremos de um Reuni duas vezes maior.
Fonte Andifes